A minha avó Ilma era um ser inacreditável! Tinha uma doçura natural que nos alcançava até mesmo quando nos chamava atenção e nunca estava chateada com ninguém. Ela vivia dedicada a todos a sua volta com tal comprometimento que seus cuidados consigo acabaram se perdendo. Ela sabia o que era fazer o seu melhor sempre.
Não espero que ninguém esqueça de se cuidar para cuidar de terceiros, mas gostaria de falar um pouco sobre como ela é um grande exemplo a ser seguido. Qualquer tarefa que fosse delegada àquela mulher era a única coisa que tinha para fazer na vida. Se fosse pregar um botão ou escolher aipim na feira, fazia com uma atenção e dedicação exclusiva. Isso deve ser exercitado por todos nós, a todo tempo.
Não falo isso apenas pela concentração que dedicava as tarefas, mas também pela boa vontade com que executava tudo. Estava sempre satisfeita com o que lhe cabia e o fazia cantarolando. Se é para ser feito, que seja feito com alegria e da melhor forma possível.
Na vida temos sempre escolhas que nos cabem e muitas vezes escolhemos errado porque estamos insatisfeitos com as duas opções. Esperamos pela terceira opção que nunca vem e isso gera uma grande frustração, talvez até mesmo raiva. Mas nem sempre vai ser o mar de rosas... As vezes teremos que escolher entre a coroa de espinhos e o flagelo, e é assim mesmo. Aceitar esta verdade nos ajuda a lidar melhor com a situação.
Enquanto adultos temos grandes responsabilidades em casa e no trabalho. Somos chamados, todos os dias, a executar nossas tarefas com maestria mas nem sempre gostamos disso. Mas não existe a opção 'auto-limpar' na casa ou 'auto-organizar' para os ficheiros sobre a mesa, então o melhor a fazer é aceitar, de bom grado, o que lhe cabe.
Feliz de quem pode escolher as tarefas que vai executar durante o dia e tem a quem delegar as outras. A grande maioria de nós tem que lidar tanto com as boas quanto com as menos agradáveis. As nossas grandes escolhas consistem, então, em fazer da melhor forma possível ou de qualquer jeito. Em fazer sorrindo e agradecidos pela oportunidade ou fazer resmungando, deixando de lado a vida que levamos em sua totalidade.
Se temos louça para lavar é porque havia comida à mesa. Se temos que acordar mais cedo no domingo para lavar o carro antes da missa é porque somos capazes de ter o conforto de um transporte particular à nossa disposição. Se os relatórios estão se empilhando sobre a mesa é porque temos um emprego que nos trás muita responsabilidade e com ela a oportunidade de fazer mais e melhor.
Entre fazer por que é um peso insuportável que temos que suportar e não existe escapatória e fazer porque é parte do processo no qual estamos inseridos e nos ajudará a alcançar nossos objetivos, qual opção nos trará leveza aos dias e sorrisos ao rosto? Qual escolha nos fará mais satisfeitos com a nossa rotina e nos trará mais alegria?
Pois essa escolha é nossa. Escolher entre ver a mesma situação como fardo ou oportunidade. Fazer sorrindo ou chorando, rápido ou enrolando, o melhor possível ou de qualquer jeito. E essa escolha é feita a toda hora, não só nesta ou naquela situação. Vivemos esta escolha desde o momento em que acordamos e, quase sempre, escolhemos mal. Vamos mudar isso e aceitar a vida cheia de grandes desafios e conquistas que temos para viver. Vamos tentar, ao menos, nos espelhar em Dona Ilma e colher os frutos de caminhar sorrindo pela rua e chegar no trabalho agradecidos pelo dia que teremos.
Carol Chilinque Self-Coaching
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