Racha corporativo - O futebol de domingo e a sua história

Eu falo sempre aqui sobre formas de unir as pessoas e torna-las uma equipe e sempre ofereço meios para que se atinja tal intento mas pouca coisa no mundo tem capacidade maior de agregar pessoas do que a prática de esportes.  O futebol é uma paixão nacional e acho justo falar sobre esta tradição lindíssima que perpetua através das gerações por todo o Brasil: o futebol com os colegas de trabalho.

Tirando as poucas metáforas futebolísticas que uso, entretanto, eu não falo sobre futebol. Não pratico o esporte e já faz muitos anos que não entro em um estádio mas o futebol pequeno, praticado nas várzeas e pequenas quadras de clubes sociais ainda me encanta... Acho incrível a paixão do brasileiro pelo esporte. Ainda mais se formos considerar que o futebol chegou ao país como um esporte elitista, branco e para homens.
Penso em todas as pessoas as quais o esporte não foi formalmente apresentado mas que viram alguma coisa - e imagino que enquanto serviam um café ou qualquer outra coisa à um homem branco e rico - e acharam por bem tentar também. Pobres não tinham acesso e negros eram impedidos de estar nos estádios dentro e fora de campo. Mas a bola encontrou o seu caminho e chegou a todos.

Talvez tenhamos que atribuir parte do crédito pelas conquistas dos menos favorecidos através da nossa triste história ao esporte. Somente o futebol permitiu que uma grande massa de negros, pobres e mulheres fossem idolatrados nesta nação tão fortemente ligada a valores importados que não nos pertence.

E somos naturais na coisa. Somente nos idos de 1800 o esporte chegou ao país pelas mãos de um abastardo homem que trouxe muito entusiasmo e duas bolas de uma viagem ao exterior. Nem bem o século XX começava e já eramos o maior exportador de jogadores do mundo. Isso é grande! Talvez estejamos conduzindo a nossa economia na direção errada... rs

O esporte, como força de resistência e expressão de grupos cujo valor foi desprezado ou diminuído ao longo da história também merece um valor muito maior do que o que lhe é atribuído. Para muitos o futebol é tudo que sobrou e não raro lemos sobre campanhas de resgate de menores em zonas de guerra pela África e Oriente Médio que utilizam mo esporte como arma de re-socialização para as pequenas mentes destruídas por anos de violência e solidão.

Mas não é a história do futebol que me interessa, apesar de ser incrível e contar uma boa parte de nossa própria história. Só mais um pouquinho de história e controvérsia para entrar, por fim, no meu objetivo com este artigo: o futebol pode ter entrado no Brasil pelo Rio ou por São Paulo, mas foi trazido por um filho da coroa britânica e era praticado aos domingos, único dia de folga dos operários.

Existem duas vertentes que explicam a entrada do futebol em solo brasileiro de duas formas distintas, em momentos igualmente diferentes. Alguns acham que foi pelas mãos de um inglês, outros acham que foi um escocês que nos apresentou ao nosso maior patrimônio cultural. Independente do que seja mais real, os dois praticavam o esporte no dia de folga, domingo, com os seus colegas de trabalho.

E isso conclui o nosso raciocínio acerca da origem e importância do futebol de domingo. Desde 1894 (ou 1895) brasileiros e naturalizados praticavam o esporte como forma de desestressar os corpos e mentes de uma semana intensa de trabalho e acima disso, para se conectar com os colegas. Assim se conheciam melhor, aprendiam a lidar com as dificuldades uns dos outros e a superar, juntos, os desafios que se apresentassem.

Se a história diz que funciona quem somos nós para negar, certo? Vamos manter a tradição,  multiplicar os benefícios históricos da prática e nos divertir. É saudável, construtivo e entretém jogadores e platéia. Isso é um grande pacote de benefícios que nem mesmo estava nos nossos planos na hora da contratação mas vem com o plano de carreira de todo mundo.

Mas não pratiquemos a exclusão, não é para objetivarmos descobrir talentos perdidos ou ganhar torneios. O foco é na diversão e no fortalecimento dos laços, então vamos montar times com a maior variedade de craques que conseguirmos e, quem sabe, podemos até propor um racha contra o time do escritório ao lado. Entremos em campo para construir e para vencer!




Carol Chilinque Self-Coaching
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