Eu nunca processei um empregador. Acho importante deixar isso claro de uma vez para que ninguém comece a ler esse artigo na ânsia de obter respostas para questões jurídicas ou para conhecer melhor o processo ou para saber sobre a experiência. Eu nunca processei ninguém.
Eu já fui dar entrada em um processo de divórcio e a advogada, ao ver meu contra-cheque, perguntou se eu estava interessada em trocar de carro. Demorei para entender porque sou muito ruim com as indiretas mas o caso era muito simples, na verdade: o meu contra-cheque não estava de acordo com as CLT e eu somava mais de cinco anos de carteira assinada naquele mesmo lugar.
Eu já fui dar entrada em um processo de divórcio e a advogada, ao ver meu contra-cheque, perguntou se eu estava interessada em trocar de carro. Demorei para entender porque sou muito ruim com as indiretas mas o caso era muito simples, na verdade: o meu contra-cheque não estava de acordo com as CLT e eu somava mais de cinco anos de carteira assinada naquele mesmo lugar.
Vou falar um pouco sobre duas experiências pessoais que tive para que possamos refletir sobre as diferenças. Vou tentar ser breve porque cinco anos em uma empresa não caberiam neste post, mas eu já fiz ali amigos que trago pela vida. Fui ferida no coração e na carne e eles estiveram do meu lado, me dando suporte e orientação. Saí pelo mundo em uma aventura solo e eles me recontrataram sem pestanejar, mesmo sabendo que só ficaria por mais um ano.
Neste lugar eu aprendi tanto que um livro seria pouco para detalhar todas as estratégias, as rotinas, os procedimentos específicos, as relações e os amores que guardo de lá. Claro que eu ganharia dinheiro e, talvez, um bom carro zero, mas será que o custo deste processo não seria maior do que o benefício financeiro que traria? Não consegui aceitar a ideia de um processo.
Eu parei e ponderei a respeito. Não pensei em processar porque isso pra mim nunca foi uma opção válida, mas pensei sobre o porque que alguém processa um empregador. Aqueles lá eu conhecia. Sei, com toda a certeza, que não agem de má fé e que se tem algo errado eles estão tentando concertar. Aquela empresa, em particular, está sempre tentando fazer melhor e sinto um orgulho tremendo de fazer parte daquela história.
Até esse momento eu não entendia porque alguém processaria que ensina, ajuda, orienta e ainda paga salário. Digo ainda paga salário como se fosse um absurdo porque lá eu me divertia tanto que o salário parecia um exagero, algumas vezes. Em outras ocasiões, ao longo da vida, tive problemas no trabalho e um até bem grande, mas as empresas sempre estão do meu lado e me ajudam a passar por tudo com muita segurança, de forma que nunca me passou pela cabeça processar ninguem.
Até esse momento eu não entendia porque alguém processaria que ensina, ajuda, orienta e ainda paga salário. Digo ainda paga salário como se fosse um absurdo porque lá eu me divertia tanto que o salário parecia um exagero, algumas vezes. Em outras ocasiões, ao longo da vida, tive problemas no trabalho e um até bem grande, mas as empresas sempre estão do meu lado e me ajudam a passar por tudo com muita segurança, de forma que nunca me passou pela cabeça processar ninguem.
Um segundo caso para avaliação. Trabalhei menos do que o período de experiência de 90 dias em uma outra empresa. Aquela era a empresa que eu buscava fazia anos! É das poucas no Brasil que tem estrutura corporativa para implementar a Universidade Corporativa, o meu sonho maior. Eu planejei, escrevi, contei, sonhei e fui.
No dia primeiro de atividades, minha supervisora verbalizou sem dificuldades o ódio dela pelos cariocas. Bom, eu sou carioca e não me senti muito bem com aquilo. Uma a uma, esta mesma pessoa desligou cada uma das pessoas que falharam em fazer uma conexão pessoal com ela. Por fim, era somente eu em meio aos afetos dela.
Nunca vão me ouvir falar que relações pessoais no trabalho são inadequadas. Acho que quem se gota tem que se gostar mesmo e quem não se gosta só precisa se respeitar. E assim acredito que deva ser em qualquer lugar. Que força não tem um time todo que se ama e se cuida? É um time imbatível! Mas há que se respeitar os desafetos. Os tratamentos dentro da hierarquia da empresa devem ser iguais porque o respeito deve ser o mesmo.
Nunca vão me ouvir falar que relações pessoais no trabalho são inadequadas. Acho que quem se gota tem que se gostar mesmo e quem não se gosta só precisa se respeitar. E assim acredito que deva ser em qualquer lugar. Que força não tem um time todo que se ama e se cuida? É um time imbatível! Mas há que se respeitar os desafetos. Os tratamentos dentro da hierarquia da empresa devem ser iguais porque o respeito deve ser o mesmo.
É uma situação muito complicada e não se espera que uma coisa dessas aconteça em meio a uma das maiores empresas do mundo, mas aconteceu e aconteceu muito bem acontecido, por assim dizer. Aconteceu comigo e foi muito intenso. Em dois meses ela não conseguiu justificativa para me desligar e -eu imagino- traçou uma estratégia de me forçar a pedir as contas que, por fim, deu certo.
Diariamente eu fui humilhada frente os meus colegas, fui diminuída e destratada. Diariamente eu fui tratada de forma diferente e afastada dos meus parceiros pois a minha estação de trabalho escolhida por ela variava todo dia e nunca era próxima dos meus. Eu estava sendo vencida por uma velha estratégia de um velho livro sobre a guerra que nem se sabe se foi realmente escrito por um homem.
Por fim, eu decidi chamar a atenção do RH para o que vinha acontecendo, utilizando os caminhos que a empresa estabelecia para casos de assédio. Foi um grande erro, mas disso ninguém poderia ter certeza. eu fiz o que era certo e não me arrependo, mas o sonho minguou e perdi tudo que havia planejado.
O RH me direcionou para a minha coordenadora que foi super humana e compreensiva em me ouvir orientar mas depois de que conversou com a minha supervisora, minha vida deixou de ser ruim para ser um inferno. Não é nada inconcebível ou inimaginável, eu tive outros gestores ruins e passionais na minha vida. Na empresa mesma de que falei anteriormente tivemos alguns maus gerentes mas a coisa foi tratada de forma diferente.
Eu agora estava em treinamento e sem supervisão. Era ignorada durante todo o meu turno e tinha que dar o meu jeito para resolver os problemas que fossem. Dias depois, ela decidiu, por critérios próprios, que eu deveria mudar para o turno da noite. Eu tenho um filho pequeno e nunca poderia trabalhar no turno da noite. Todos lá sabiam disso porque a minha luta pelo turno da manhã começou no primeiro dia de trabalho. Eu sempre pedi e lembrava com regularidade que estava na fila para a mudança de turno. Mas não havia escolha aqui. Era mandatório.
Mais alguns dias e me notificou que eu não mais receberia o auxílio creche se não levasse naquele mesmo dia o recibo do mês no RH. O RH havia mudado as regras e estava desde o início do mês avisando os supervisores via e-mail para que nos repassassem. Ela esperou que eu me logasse para avisar que prazo acabaria durante o meu turno. Prejuízo...
A coordenadora me surpreendeu com a desculpa de que a supervisora não estava recebendo os avisos porque não estava na lista de destinatários dos e-mails. Alguem sabe de uma lista de contatos que acrescente contatos depois do dia 15? Eu não conheço. Ou ela não receberia nunca e-mail qualquer ou recebeu todos. Percebi então que não haveria saída para mim ali. Eu estava sozinha na luta pelas condições de trabalho que eu merecia.
Foi então que decidi me desligar da empresa. Vi que havia chegado em um ponto em que eu acabaria sendo desligada porque não aceitaria o turno que me estava sendo imposto e preferi me desligar. Nunca fui demitida, não saberia lidar com isso. Saí e fiquei em casa pensando sobre os meus valores e sobre tudo que me custou chegar até aquele ponto.
Muita coisa ocupa a minha cabeça agora. Não existia PLANO B para isso tudo e acabei sentada na beira da estrada, observando as outras vidas passarem. Claro que já havia ficado desempregada antes e não tenho o risco de passar fome ou perder a casa, mas o plano da minha vida precisa ser mudado agora e o custo desta situação ridícula que vivi vai ser altíssimo. E aí fica a pergunta: eu devo processar a empresa?
Essa reflexão pode ser concluída na cabeça de cada um, mas é certo que dentro do meu julgamento de valores, fico nesta situação: a empresa não colocou nada em mim que valha o que passei e não está me assistindo como mereço, tendo me custado, por fim, o emprego e os planos. Mas será que ultrapassei o limite do 'não processo ex-empregadores'?
Para ter acesso a mais informações sobre as leis que protegem os empregados, clique aqui.
O RH me direcionou para a minha coordenadora que foi super humana e compreensiva em me ouvir orientar mas depois de que conversou com a minha supervisora, minha vida deixou de ser ruim para ser um inferno. Não é nada inconcebível ou inimaginável, eu tive outros gestores ruins e passionais na minha vida. Na empresa mesma de que falei anteriormente tivemos alguns maus gerentes mas a coisa foi tratada de forma diferente.
Eu agora estava em treinamento e sem supervisão. Era ignorada durante todo o meu turno e tinha que dar o meu jeito para resolver os problemas que fossem. Dias depois, ela decidiu, por critérios próprios, que eu deveria mudar para o turno da noite. Eu tenho um filho pequeno e nunca poderia trabalhar no turno da noite. Todos lá sabiam disso porque a minha luta pelo turno da manhã começou no primeiro dia de trabalho. Eu sempre pedi e lembrava com regularidade que estava na fila para a mudança de turno. Mas não havia escolha aqui. Era mandatório.
Mais alguns dias e me notificou que eu não mais receberia o auxílio creche se não levasse naquele mesmo dia o recibo do mês no RH. O RH havia mudado as regras e estava desde o início do mês avisando os supervisores via e-mail para que nos repassassem. Ela esperou que eu me logasse para avisar que prazo acabaria durante o meu turno. Prejuízo...
A coordenadora me surpreendeu com a desculpa de que a supervisora não estava recebendo os avisos porque não estava na lista de destinatários dos e-mails. Alguem sabe de uma lista de contatos que acrescente contatos depois do dia 15? Eu não conheço. Ou ela não receberia nunca e-mail qualquer ou recebeu todos. Percebi então que não haveria saída para mim ali. Eu estava sozinha na luta pelas condições de trabalho que eu merecia.
Foi então que decidi me desligar da empresa. Vi que havia chegado em um ponto em que eu acabaria sendo desligada porque não aceitaria o turno que me estava sendo imposto e preferi me desligar. Nunca fui demitida, não saberia lidar com isso. Saí e fiquei em casa pensando sobre os meus valores e sobre tudo que me custou chegar até aquele ponto.
Muita coisa ocupa a minha cabeça agora. Não existia PLANO B para isso tudo e acabei sentada na beira da estrada, observando as outras vidas passarem. Claro que já havia ficado desempregada antes e não tenho o risco de passar fome ou perder a casa, mas o plano da minha vida precisa ser mudado agora e o custo desta situação ridícula que vivi vai ser altíssimo. E aí fica a pergunta: eu devo processar a empresa?
Essa reflexão pode ser concluída na cabeça de cada um, mas é certo que dentro do meu julgamento de valores, fico nesta situação: a empresa não colocou nada em mim que valha o que passei e não está me assistindo como mereço, tendo me custado, por fim, o emprego e os planos. Mas será que ultrapassei o limite do 'não processo ex-empregadores'?
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Carol Chilinque Self-Coaching
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